O que é necessário (de verdade) e quanto custa ser um político no Brasil?

By | 25 de abril de 2014

Você liga sua TV e a propaganda política começa. Um monte de gente que você não conhece e não sabe porque são candidatos. Já os candidatos acreditam que mudarão a vida dos brasileiros.

Afinal o que é necessário (de verdade) e quanto custa ser um político no Brasil?

Os requisitos oficiais para candidaturas estão disponíveis nos portais do Tribunal Superior Eleitoral – TSE e nos sítios dos Tribunais Regionais Eleitorais – TRE.

Isso pouco ou nada importa para a maioria dos brasileiros! Ritos oficiais não nos dizem nada!

Vamos falar da verdade. A verdade verdadeira! Como aquelas pessoas chegam na sua TV se dizendo candidatos? Como se sustentam? Como constroem suas plataformas? De onde veem? Para onde vão?

Falemos dos candidatos a vereadores da cidade do Rio de Janeiro. Caso deseje, adapte a realidade da sua região ou mesmo mude cargo eletivo.

Os requisitos são:

1) Dinheiro grosso, bufunfa, cascalho firme: um voto na capital fluminense custa aproximadamente R$ 21,00. Dependendo da legenda, coligação e partido político, com 12.000 ou 13.000 votos, a vaguinha é conseguida na câmara. Ou seja, serão necessários entre R$ 250.000,00 à R$ 270.000,00. Atenção: o voto “custa” R$ 21,00, mas não quer dizer que os candidatos “comprem votos”. A camiseta, broche, cartaz, faixa, banner, carreata, deslocamentos e, pasmem, aumento do volume de “ações sociais” em comunidades tem custos. Se a legenda for considerada “fraca” até 44.000 votos são necessários para eleição.

2) Popularidade: uma variável importante para baratear o custo do voto. Quanto mais popular, melhor para o candidato. Se você é um artista, ativista político, “dono” de ONG, representante da Anistia Internacional ou atleta, o valor do voto cai bastante. Sindicalistas saíram desta lista de popularidade há muito tempo. Por exemplo: Romário, Bebeto, Aurélio Miguel, João Derly, Cláudio Cavalcante e Stepan Nercessian são pessoas populares, cujos votos ficaram bem mais baratos.

3) Histórico político: se o candidato advém de uma família de políticos, o voto tende a ficar mais barato. O problema é que, não raramente, a família deseja elevar o ente amado ao posto de político, mas o candidato é burro feito uma porta. Resultado prático: o voto fica até mais caro do que planejado.

4) Proximidade com algum grupo minoritário e/ou marginalizado: alguns votinhos ficam mais fáceis quando o candidato levanta a bandeira dos evangélicos, gays, feministas, associação de moradores e professores.

5) Legenda que não seja “meia-boca”: partidos elegem vereadores na cidade do Rio de Janeiro com um pouco mais de 12.000 votos. Outros com 44.000 votos. Candidato que não é burro, vai buscar o jeito mais fácil de se eleger. Correto? Pois é! Todo mundo quer a legenda que elege mais fácil, mas as vagas são limitadas. Então, muitas vezes, é melhor buscar uma legenda mais fraca, gastando mais dinheiro por voto, porém tendo a certeza de que vai concorrer. Imagine filiar-se ao um partido expressivo, ser preterido e ficar de fora do pleito? É aquela velha história: mais vale uma candidatura na mão no partido de aluguel que duas no partido de renome…

6) Poucos “sanguessugas”: O que você não sabe é que a maioria esmagadoras das pessoas que trabalham para os candidatos não fazem isso por ideologia, mas por remuneração mensal e promessa de cargos. Quanto menos parasitas junto ao candidato, mais barato fica o voto.

O que deveria ser requisito, mas ainda sim os candidatos são eleitos sem possuí-los:

7) Discernimento político: Política é uma ciência que os políticos deveriam dominá-la. Ser “uma pessoa cheia de boas intenções” é muito pouco para ser um eleito pelo povo.

8) Discernimento ideológico: Esquerda? Direita? Só utilizam as palavras se for pra virar o carro…

9) Preparação técnica em alguma área: o camarada que tem a política como profissão é um desocupado. É o que mais tem por aí…

10) Plataforma política: isso é quase uma piada. A maioria esmagadora dos candidatos nem sabem fazer uma e a população não liga se não tiver plataforma.

E para finalizar, uma curiosidade: perder a eleição não é sinônimo de “perder”.

A maioria dos candidatos que você conhece sabe que jamais ganharão a eleição. Ou porque não possuem dinheiro, popularidade, histórico político, legenda, apoio operacional ou político.

Voto recebido é moeda de troca.

No meses seguintes, o(s) candidato(s) eleito(s) avalia(m) em quais áreas não obteve(obtiveram) tantos votos. Observa(m) qual o candidato não foi eleito e faz(em) a conta que expliquei acima: “quanto custou cada voto?”. Se o candidato derrotado conseguiu um número expressivo de votos (7.000 ou 8.000) gastando menos de R$ 21,00, o candidato eleito faz a seguinte proposta: se você desistir de se candidatar na próxima eleição e me apoiar, eu prometo um ou dois cargos comissionados pelo tempo do meu mandato.

Um monte de candidato derrotado aceita…

Agora que você já sabe de verdade como um vereador se elege na cidade do Rio de Janeiro, faça diferente e vote naqueles que realmente irão te representar.