Corpo e Cultura – A natureza em plena harmonia

By | 11 de novembro de 2013

Por Thiago Merlo

O corpo é o símbolo do poder. Poucos são os elementos naturais capazes de interferir no cosmos – especialmente no tempo e no espaço – quanto o corpo. Não por acaso, a tríade corpo, mente e alma são indissociáveis. Cada qual representando sua posição no universo. Porém o corpo é o poder: conduz mais do que é conduzido.

Ainda que um ingênuo desavisado acreditasse que o corpo é conduzido pela alma ou pela mente – senhora da razão, incorreria num erro crasso. O corpo transcende e é transcendido pela alma. O corpo transcende e é transcendido pela mente. O corpo é a vida em movimento.

O corpo movimenta-se perpetuando o gesto da vida. Os hábitos e costumes que cercam o corpo adotam tal postura por mera razão simbiótica. A natureza existencial dos hábitos e costumes começa e termina no corpo. Os hábitos precedem o abandono da inércia comportamental. E o término não se dá pelo retorno da inércia, outrora citada como o início, mas pelo ratificação do hábito.

Quando os hábitos, costumes, práticas e comportamentos identificam, qualificam e enaltecem a existência da vida, há a cultura na sua arte bruta.

Que tipo de cultura não passa pelo existencialismo corporal? Há folclore, dança, interpretação, música e artes plásticas sem o corpo?

Pergunta sem sentido, sem razão e sem cultura. Logo sem corpo.