As mulheres idealizam porque buscam a felicidade

By | 4 de dezembro de 2013

A natureza feminina, cheia de mistérios e belezas particulares, reúne tantas questões que as próprias mulheres desconhecem as respostas. Muitos dos problemas femininos surgem antes da sua emancipação social, cultural e profissional. Vão além do matrimônio ou maternidade. Ainda que as razões para a felicidade sejam desconhecidas, as frustrações são públicas, mensuráveis e óbvias.

Uma das principais frustrações femininas advém da idealização.

As mulheres contemporâneas tem o hábito inapropriado de idealizar. E normalmente idealizar é moldar o presente num ponto futuro, desconhecido, incerto e perigoso. Somente mulheres idealizam? A resposta é não. Mas por que as mulheres idealizam tanto?

A busca por uma resposta “curta e grossa” é, em primeira análise, pretensiosa. Um esforço para compreender a idealização feminina vale cada segundo se você tem alguém importante para entender (ou mesmo se entender).

Habitualmente mulheres idealizam relacionamentos. O equívoco primário – e também perigoso – começa quando mulheres iniciam um relacionamento idealizando um futuro romanceado que, na verdade, é repleto de incertezas e impossibilidades. Tantos perigos somam-se para definir o maior problema de todos: as mulheres observam seus parceiros como elas desejam que eles fossem e não como eles verdadeiramente são. Mulheres que idealizam casamentos e famílias felizes – e depois se frustram porque não alcançam seus objetivos – veem seus homens como uma extensão da sua própria existência. Isso é ruim. A afirmativa é tão óbvia, porém todos os dias vemos os mesmos erros sendo cometidos.

Mas por que? Por que mulheres sabem que a idealização no relacionamento é um “tiro no pé” e fazem isso a todo tempo?

A resposta pode ser rude se for oferecida por pessoas rudes. A resposta pode ser insensível se for oferecida por pessoas insensíveis. A resposta pode ser dura se for oferecida por pessoas que desejam o bem de outras pessoas.

Visitemos a história das mulheres no Brasil. O Brasil é um país novo com pouco mais de 500 anos. A população passou a ser majoritariamente urbana à menos de 85 anos. Hábitos, costumes, valores, princípios e normas mudaram drasticamente e as mulheres saíram do ostracismo familiar para posições de destaque na sociedade brasileira. As mulheres votam, administram o lar e a profissão. Em menos de 100 anos, as mulheres deixaram o posto de ente zelado para zeladora. No meio de tantas as mudanças, surgiram no seio da classe média as “mulheres híbridas” – mostram sua força numa sociedade repleta de mudanças comportamentais, nutrindo um ideário antiguado de família do início do século XX e buscam autonomia sobre pensamentos e comportamentos impostos por uma nova ordem social.

Em alguns campos sociais, houve inversão de papeis entre homens e mulheres. Ao passo em que a sociedade “empurra” as mulheres para a emancipação, ninguém as estimula a ter uma visão contemporânea de relacionamento. Pelo contrário: mulheres agindo como homens no campo sentimental e sexual são friamente criticadas.

O cerne da idealização é inadequado, mas os motivos são comoventes. A felicidade e independência feminina agora caminham juntas. Os casais constituem famílias sob uma nova ótica social, mas a duração dos relacionamentos depende diretamente da maneira como cada elemento observa o outro. A melhor decisão (e a única ) é envolver-se com o companheiro esperando realmente o que cada um tem a oferecer.